segunda-feira, setembro 08, 2008
Balanço
Andei por vários destes anos buscando o significado de mim e, em mim mesmo, assim sozinho, não vi resposta nem graça. Inventei amar, mas o amor se mostrou uma criatura indomável e inconstante, ora precipitada, ora arredia e meu coração sacolejou muito ao tentar cavalgá-la.
Inventei guerras e me fiz herói, mas meu heroismo não resistiu à rotina e as guerras perderam o sentido no somatório da vida.
Na trilha oposta, busquei a paz, mas também a paz se mostrou inócua.
Amei o vento, as noites de lua, as montanhas, as cachoeiras, as longas distâncias à pé, as horas incontáveis pedalando e as caçadas aos pôres-do-sol.
Aliás, foi entre os elementos aprendi o significado da simplicidade e me senti mais forte.
Fiz do movimento minha maior verdade e é o movimento que me dá essência, porque sou inquieto.
Não gostei de mim quando causei mágoas, quando decepcionei olhares, quando fui egoísta, quando vaidoso ou medíocre.
Gostei de mim quando estive entre as pessoas, quando entreguei sorrisos nas bocas, quando arrastei crianças pela imaginação afora.
Sim, sobretudo, gostei de ser palhaço.
E sigo andando, tentando cansar a vida com minha persistência, sorrindo das suas chacotas e rastreando o selvagem amor.
sábado, novembro 24, 2007
Meu engano
quinta-feira, outubro 04, 2007
Mutatio
sábado, junho 23, 2007
espelho da alma
Uma lembrança cortada, uma palavra ao avesso do sentido, uma música interrompida no primeiro acorde.
O forte que há em mim foi perdendo o traquejo enquanto as máscaras despencavam indiferentes ao que ia por dentro.
Descobri que meu coração é menino e não entende a confusão dos personagens instalados na rotina.
Logo não há mais saída. Logo comigo. Logo agora.
A saudade irradia pela corrente sanguínea, paralisa as pernas e enche olhos d'água.
Choro um pranto nobre e profundo na solidão do meu quarto.
Meu coração, menino que é, anda com medo de mim.
quinta-feira, março 29, 2007
Pedra Bonita - Itanhandy

Mova-se! Algo dentro de mim sempre ordenou isso. Saí de casa pequeno e sempre que volto vejo que há muito a explorar na terra dos meus pais e dos meus ancestrais.
O jeito aventureiro que cultivo encontra sempre aconchego na minha própria casa. Em outros tempos, meu pai foi tropeiro, cortava poeira e fazia rota de comércio do sertão ao litoral.
Quando mais menino, ensaiei minhas primeiras andadas à moda dos tropeiros, montado em um cavalo. O posto era honroso, assistente de Vovô Augusto, meu primeiro grande amigo, meu primeiro professor de vida. Tempos depois, já mais aquilatado de corpo e arranhado de paixões, cortei estrada, de bicicleta, desse sertão até a beira-mar e vi de perto o quanto meu vale é rico, apesar da pobreza que se fez sinônimo da palavra Jequitinhonha. Agora olho essas pedras e penso em escalar uma por uma, só para ver o que elas sempre viram naquele horizonte do meu sertão. Hei de fazê-lo, mas hei de fazer isso apaixonadamente, amando a terra que piso, querendo aprender com as rochas a ser forte e longevo.
Às vezes penso que foram estas rochas que moldaram os homens da minha terra. Homens como meu pai e meu avô, fortes, firmes, impassíveis e, sempre, olhando o que virá no horizonte.
sexta-feira, julho 28, 2006
quinta-feira, maio 25, 2006
areia dos sonhos
quinta-feira, maio 04, 2006
Intimidade
(Fotografia de A.Brito)
terça-feira, abril 18, 2006
Ego trip
Viajando pelas veredas de mim mesmo encontrei, guardadas, certas coisas das quais sempre acreditei ter me livrado, por não gostar. Eram lembranças ruins, em que sofro.
E elas estavam guardadas em mim.
Descobri, na verdade, que nunca quisera perdê-las. Estranho apego ao insucesso, estranho culto ao desconforto.
Acomodei-as em memórias sempre visíveis e, por mais insólito que isso possa parecer, fiz, com elas, um ambiente para o qual fujo sempre que algo me assusta.
É como um quarto de misérias que construo quando deveria destruir.
Tentei ignorá-las, rir-me delas e lançá-las fora de vez, mas falhei no propósito. À medida que me desfazia, colhia-as de volta com o desespero de quem cata papéis ao vento.
Notei que não era involuntário, havia vontade minha ali, originada não sei de onde.
Surpreso com minha própria natureza, parei de tentar interferir e fiquei só contemplando toda a dimensão do enorme paradoxo que faz de mim o estranho ser que sou.
Estranho, ser esse ser. Ser esse ser humano estranho.
Humano, estranho ser.
Estranho ser humano, esse ser humano estranho que...
amo ser.
sexta-feira, abril 14, 2006
dimensão de nós
perdidos, ambos, num mesmo olhar.
Fugimos,
e fixamos morada num ponto onde todas as dimensões foram uma única coisa:
verdade.
A verdade de nossos corpos e almas, a verdade humana do amor e da carne,
aquela coisa única que só sentimos ali.
Sim, estivemos lá,
naquela concretude de tempo,
naquela incerteza de espaço,
naquela perfeição de tudo,
na nossa alcova.
No ponto onde estivemos, estivemos a sós e completos.
Tu e eu,
fartos,
plenos,
gratos,
completos de amor.


