quinta-feira, outubro 04, 2007

Mutatio


Transformações são assim, por mais que se tente precisar o momento em que uma coisa se torna outra, há um intervalo que fica oculto. É neste momento que algo some e algo surge.

Foi assim comigo, eu mudei e algo que era meu se perdeu no limiar da dor.

A alma, como tudo, se adapta.

O que sou hoje é o resultado de uma cadeia de fatos dos quais me lembro muito bem.

Da transformação nada lembro.

Lembro-me dos fatos de forma insípida e incolor, crua.

Não sinto nada. Não consigo sentir, não consigo falar sobre sentimentos.

Acharei, um dia, a lógica de tudo e saberei, então, porque sangra essa alma imatura.
Até lá, continuarei andando de lugar em lugar, colecionando pôres-do-sol.


Um comentário:

Bia Pontes disse...

Ora...toda alma que sangra está viva. E, portanto, prestes a voltar a sentir.
É que a alma é indizível...sente, pressente e se ressente de coisas que a mente não consegue traduzir. Talvez, só depois de um tempo.
A coragem de mudar, mesmo correndo o risco de perder também é um sinal de que a alma está desperta.
Acho que a alma é auto-colante rs. Enquanto se despedaça de um lado, quando menos se espera volta a enxergar com uma nitidez assustadora. É neste intervalo oculto que ela existe.

Entendi tudinho neste post. Beijos, querido.